Fim de instituições financeiras tradicionais é debatido em encontro do grupo de blockchain

O evento aconteceu no último dia 22 de novembro, no auditório do empresarial ITBC, e contou com a palestra da economista Bruna Florio

A revolucionária tecnologia do blockchain pode pôr um fim aos bancos? Essa é uma pergunta que há tempos tem alimentado discussões por parte de diversos especialistas no mundo. O assunto também esteve na pauta do debate no quarto encontro da série intitulada “Blockchain pra quê?”, promovido pelo SoftexRecife, com o apoio da Assespro, Seprope, Manguez.Al e da Associação Brasileira de Criptomoedas e Blockchain (ABCB). O evento aconteceu no último dia 22 de novembro, no auditório do empresarial ITBC, Bairro do Recife.

À frente da exposição, a economista Bruna Florio abriu o evento afirmando que as criptomoedas, assim como o blockchain, são tecnologias que vieram pra ficar e ainda serão muito difundidas nos sistemas bancário, financeiro, de logística, gestão, entre outros. Apesar disso, ao longo da palestra que durou cerca de uma hora e meia, ela demonstrou que a tecnologia por trás do Bitcoin não deve aposentar as tradicionais instituições financeira, mas sim provocar mudanças profundas em sua estrutura.

Fazendo um panorama geral, a palestrante explicou que, na última década, a concorrência no sistema financeiro tradicional brasileiro mudou de forma significativa, passando por um forte processo de concentração bancária (fusão de bancos). Em 2017, o Índice de Concentração Bancário chegou a 82,8%, embora o Brasil conte com mais 200 instituições financeiras. “Isso é reflexo de uma questão cultural e gera um menor poder escolha para o usuário. Ninguém questiona o preço dos serviços e, no caso de pessoas jurídicas, esse fato impacta muito a operação das empresas”, analisa citando dados do Banco Central.

Ela ressalta que atualmente a estratégia dos bancos comerciais é estar em bolsas de valores, dispor de uma política de dividendos bem definida, proporcionar mais resultados para os acionistas e não arriscam muito. Neste cenário, as instituições financeiras tradicionais têm sua principal receita na área de empréstimo. “O blockchain pode mudar de forma significativa toda a operação dos bancos tradicionais e eles já estão investindo nessa tecnologia para não perder receita. Os bancos vão operar de forma mais barata e ganhar em escala. As despesas administrativas devem cair, assim como o custo para o usuário e haverá mais estímulo do uso de serviços online”, disse.

A economista acredita ainda que a principal receita dessas instituições vai continuar sendo o crédito. Contudo, as mudanças devem demorar a acontecer e as pessoas a se adaptarem a tecnologia. “Acho difícil o governo reconhecer as criptomoedas existentes. Mas, o Banco Central pode vir a implementar suas próprias criptomoedas. Será um processo lento, pois é preciso educar a população. Antes disso, os bancos vão transacionar essas moedas como já estão fazendo. Acredito no blockchain sendo usado pelo governo para ser mais eficiente e a aplicação da tecnologia para o bem da sociedade”, finalizou.

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