Pesquisa: empresários de TI estão cautelosos com a economia

Diretor Adjunto do SoftexRecife e CEO da Pitang, Antônio Valença, avalia que, para empresários, a economia ainda não está no ritmo que se esperava e as reformas estão demorando para sair do papel

 

Os empresários de Tecnologia da Informação de Pernambuco colocaram o pé no chão e passaram a enxergar com menos otimismo o cenário econômico no segundo trimestre de 2017. A avaliação é do diretor adjunto do SoftexRecife e CEO da Pitang, Antônio Valença, ao analisar o resultado da 5ª Sondagem Conjuntural realizada junto ao setor pela entidade e com o apoio do SEPROPE. A pesquisa mostrou que, pela segunda vez seguida, houve queda nos Índices de Situação (IS) e de Expectativa (IE).

 

O IS – que avalia o cenário atual vivido pelas organizações – caiu de 99,7% na sondagem do último trimestre de 2016 (out/nov/dez), para 89,1% no primeiro semestre deste ano (jan/fev/mar), chegando agora a 85,5% (abr/maio/jun). Segundo Valença, esse número só não é menor do que o registrado em junho de 2016, quando o IS foi de 36,4%. O índice de referência para as variáveis da pesquisa serem consideradas positivas é acima de 100%. Dessa forma, significa que as avaliações negativas estão superando as positivas.

 

Valença lembra que, no início da sondagem em junho de 2016, o IS foi muito baixo, pois era o auge da crise no governo Dilma e a recessão havia atingindo em cheio as empresas. Em setembro, o índice subiu para 94% e depois, em dezembro, para 99,7%. “No último semestre do ano passado, houve uma reversão do quadro inicial. O ambiente refletia uma expectativa positiva frente ao novo governo que prometia o corte dos gastos públicos, a aprovação rápida das reformas trabalhista e previdenciária, além de uma consequente retomada da economia”, conta.

 

De janeiro de 2017 até o momento, as quedas consecutivas do IS revelam que a economia ainda não está no ritmo que se esperava nem as reformas saíram de forma célere. “Os empresários mostraram estar mais com pé no chão, em razão da possibilidade do presidente Michel Temer ser afastado das suas funções, do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de dúvidas sobre a aprovação das reformas tão necessárias para o Brasil”, explica frisando que a pesquisa é referente ao período de abril a junho.

 

O diretor do SoftexRecife ressalta ainda que a demora na aprovação da reforma trabalhista teve um peso significativo no resultado desta pesquisa. “Essa reforma impacta muito no setor de tecnologia. A mão de obra é um dos maiores custos na nossa área. Precisamos de profissionais qualificados, os custos trabalhistas são altos e as regras trabalhistas muito arcaicas. Tudo isso se reflete nos custos e as nossas empresas competem com multinacionais e empresas de outras regiões do país. Por isso, o IS caiu”, pontuou.

 

Já o Índice de Expectativa (IE), que trata das projeções para o futuro, continua maior que 100%. Contudo, de acordo com a pesquisa, ele também passou a apresentar queda desde o início deste ano. “De uma forma geral, o ser humano tende a ser mais otimista com o futuro. Em dezembro, registramos o IE de 195,7% e hoje temos 146,3%. Um índice positivo! Mas, é o reflexo das incertezas do momento e de que os empresários passam a adotar uma postura mais cautelosa”, observou.

 

Próxima pesquisa – Antônio Valença também acredita que, na próxima sondagem, este cenário vai estabilizar e os Índices de Situação e Expectativa devem parar de cair. “Os índices devem se manter neste patamar. É um reflexo da aprovação da reforma trabalhista. Além disso, a economia tem dado bons sinais: a inflação caiu, juros vêm em queda, parou de subir o índice de desemprego. Tudo isso são indícios claros de que saímos da crise. Mas, a retomada do crescimento está longe de ter o ritmo que precisamos”, afirmou.

 

Da mesma forma, ele enfatizou que a reforma previdenciária ainda é considerada decisiva pelos empresários para a retomada efetiva do crescimento. “A previdência está pressionando o orçamento da União. Se não for tratado, sabemos que, em algum momento, o governo poderá emitir mais dinheiro, gerando desvalorização da moeda e mais inflação. Também entendemos que será mais difícil a aprovação desta reforma, pois é um tema polêmico e atinge a todos. Isso aumenta um pouco o cenário de incertezas. Ou seja, estamos em momento de cautela”, concluiu.

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