Sondagem do setor tecnológico projeta maior demanda, mas sem aumento de preço

Pesquisa do SoftexRecife e entidades parceiras mostra que setor mantém otimismo, mas com expectativas mais contidas

O SoftexRecife divulga mais um resultado do Boletim Conjuntural do setor de Tecnologia da Informação (TI), referente ao 1º trimestre de 2017, feito em parceria com a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação (Assespro) e o Sindicato das Empresas de Processamento de Dados do Estado de Pernambuco (Seprope). Novamente a sondagem reforçou o sentimento de confiança dos empresários do setor sobre o cenário.

Desde a primeira sondagem, feita em junho de 2016, foi possível observar uma evolução contínua nos principais índices da sondagem, o Índice de Situação (IS), Índice de Expectativa (IE) e Índice de Confiança (IC): todos seguem apresentando valores positivos. Esta é a quarta sondagem feita, com dados atualizados sobre a evolução do setor durante os trimestres do ano, e envolveu 72 empresas do estado.
O Índice de Confiança, que é calculado a partir de uma média aritmética entre o Índice de Situação (IS) e o Índice de Expectativa (IE), ficou em 124,8%, valor um pouco menor que o registrado na penúltima pesquisa, que marcava 147,5%.

A sondagem mostrou que 35,2% das empresas apontaram uma expansão no volume da demanda neste primeiro trimestre. Em relação ao faturamento, 25,4% das empresas registraram aumento, enquanto 39,4% relatou que o valor permaneceu igual ao trimestre anterior. Para o trimestre seguinte (abril-junho), a expectativa de aumento foi indicada por 63,4% das empresas. Novamente percebe-se uma reversão nas expectativas, já que na última sondagem, 97,3% estavam otimistas em relação a este tópico.

“Essa eventual expansão da demanda será acompanhada por uma queda na margem dos lucros, pois não deve ser seguida por um aumento de preço”, explica o economista Eduardo Paiva, que é Coordenador do SoftexRecife. Ele lembra que isso fica visível na pesquisa quando 83,1% dos entrevistados acreditam que não se espera evolução de preços no próximo trimestre.

Em relação ao quadro de pessoal, 71,8% das empresas registraram estabilidade nos últimos três meses, e outras 16,9% indicaram redução na equipe. Somente 11,3% delas expandiram suas contratações, o que reforça a ideia de que ainda existem demissões acontecendo no setor.

Para uma melhor avaliação da questão da mão de obra, uma nova pergunta foi inserida nesta sondagem: num eventual aumento da demanda, a empresa poderia atendê-la com os recursos disponíveis?

A resposta revelou que 64,8% disseram que sim, e somente 26,8% contratariam mais funcionários. “Isso revela um aumento inesperado não afetaria o quadro pessoal, o que nos leva a pensar que este quadro trabalha com folga”, frisa Eduardo. “Essa situação ainda demonstra que as demissões, iniciadas com a recessão, em 2015, e que liberaram muita mão de obra até ano passado, ainda pode acontecer, pois há como suprir demandas maiores com um quadro enxuto”, conclui.

Crise dificulta negócios – Uma das questões posta pela sondagem diz respeito aos fatores que impedem a melhoria dos negócios, e 67,6% apontaram a recessão pela qual o país passa como motivo principal. Além disso, a demanda insuficiente (22,5%), a competição no próprio setor (21,1%) e o custo financeiro (18,3%) também pesaram. “É importante observarmos que estas quatro indicações representam facetas de um mesmo problema, que é a crise econômica”, reforça Eduardo Paiva.

Ao lado desses fatores impeditivos à melhoria dos negócios, chama a atenção que 11,3% das empresas apontaram a escassez de mão de obra, uma indicação não esperada. Vale recordar que o biênio 2015/2016 foi de ajuste de quadro de pessoas nas empresas, e liberou muita mão de obra. “É possível que as empresas que apontaram esta dificuldade estivessem necessitando de formação em alguma ou algumas tecnologias específica”, acredita Eduardo Paiva.

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